A Argentina de Javier Milei registrou crescimento de 4,4% do PIB em 2025, de acordo com dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estadística y Censos (INDEC) nesta sexta-feira (20). É o primeiro crescimento da economia argentina desde 2022 — quando o país avançou 6% ainda no governo de Alberto Fernández.
O que puxou o crescimento
Segundo o INDEC, os principais motores da expansão foram:
- Consumo privado: +7,9%
- Exportações: +7,6%
- Formação bruta de capital fixo (investimentos): +16,4%
- Intermediação financeira: +24,7%
- Mineração e extração: +8%
O custo do ajuste
O crescimento veio acompanhado de custos sociais significativos. O consumo interno permaneceu fraco — resultado direto do Plano Motosserra, que cortou subsídios em água, gás, luz e transporte público, elevando tarifas e comprimindo o poder de compra dos argentinos.
O desemprego subiu 1,1 ponto percentual em 2025, chegando a 7,5% — o maior nível desde a pandemia de Covid-19. Especialistas avaliam que a estabilização macroeconômica de Milei ainda não se traduziu em geração de empregos nem em aumento do consumo.
Inflação: queda histórica
Um dos maiores trunfos do governo Milei foi a redução drástica da inflação. Após registrar 211,4% em 2023 e 117,8% em 2024, a inflação argentina caiu para 31,5% em 2025 — ainda alta para padrões internacionais, mas considerada uma vitória expressiva do ajuste fiscal. O país também registrou superávit fiscal nos dois primeiros anos de Milei.
Análise: modelo sob teste
“Ele ainda não consegue que essa estabilização macroeconômica se traduza em geração de empregos, aumento do consumo e dinamismo da economia”, avalia Tito Nolazco, da Prospectiva Public Affairs Latam. Para Federico Servideo, da Câmara de Comércio Argentino-Brasileira, o resultado de 2025 representa um ano de transição: economia se reorganizando após o forte ajuste, com melhora em fundamentos como controle fiscal e desaceleração da inflação.
O resultado coloca a Argentina como contraponto ao Brasil, onde o governo Lula enfrenta crescente insatisfação com a economia, alta de juros e pressão sobre o custo de vida — enquanto o modelo ultraliberal de Milei começa a apresentar seus primeiros frutos concretos.
Fontes: G1/Globo, INDEC (Argentina), Câmara de Comércio Argentino-Brasileira de São Paulo, Prospectiva Public Affairs Latam.