STF dá 72h para promotores do RJ explicarem ‘penduricalhos’ de R$ 270 mil — ou sofrem punição disciplinar
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou neste domingo, 8 de março, que o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) apresente dados detalhados sobre os chamados “penduricalhos” pagos aos seus servidores nos primeiros meses de 2026. O prazo é de 72 horas — e o descumprimento acarreta punição disciplinar. O escândalo envolve pagamentos que chegam a R$ 270 mil por membro do Ministério Público fluminense.
Decisão anterior já havia sido ignorada
O episódio expõe algo que o contribuinte brasileiro conhece bem: a classe jurídica que julga, condena e prega austeridade para o restante do país muitas vezes não se submete às mesmas regras. Em 23 de fevereiro, Gilmar já havia determinado a suspensão dos pagamentos irregulares. Em 27 de fevereiro, teve que cobrar explicações ao procurador-geral de Justiça do RJ, Antônio José Campos Moreira, diante de indícios de descumprimento. A resposta apresentada foi considerada insuficiente pelo próprio ministro.
CNMP também é acionado — transparência exigida
Além do prazo imposto ao MPRJ, Gilmar notificou o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) para que tome as providências cabíveis. O ministro também exigiu a identificação da instituição financeira responsável pelas transferências e proibiu expressamente que o órgão apresente documentos produzidos depois dos fatos para tentar justificar os pagamentos. O trabalhador brasileiro, que paga impostos em cima de impostos, fica à espera de uma resposta concreta sobre o destino do dinheiro público.