O ex-procurador federal Deltan Dallagnol, que conduziu a Operação Lava Jato por 18 anos no Ministério Público, foi categórico: os indícios revelados pelas mensagens trocadas entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro seriam mais do que suficientes para investigação criminal, afastamento e até prisão preventiva — se Moraes não ocupasse uma cadeira no Supremo Tribunal Federal.
Na sexta-feira (6), vieram a público todas as mensagens que o banqueiro Vorcaro enviou ao ministro no dia 17 de novembro de 2025 — exatamente a data em que seria preso ao tentar embarcar para o exterior. As trocas revelam que Vorcaro tinha acesso a informações sigilosas de investigação e pedia ajuda para “bloquear” a operação da Polícia Federal. Moraes respondia com mensagens de visualização única — o recurso de apagamento automático frequentemente associado a comunicações criminosas.
Em determinado momento, ao saber que uma jornalista fazia perguntas sobre o caso, Vorcaro escreveu: “Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?”. Moraes respondeu — e depois enviou um emoji de joinha ao banqueiro que descrevia ter conhecimento prévio de operações policiais sigilosas. “Para o dono de banco amigo não houve censura, prisão, bloqueio ou 48 horas. Houve joinha”, escreveu Deltan.
Os elementos listados pelo ex-procurador são graves: contrato de R$ 129 milhões com a esposa do ministro (Viviane de Moraes), mensagens pedindo bloqueio de investigação, uso de recurso de apagamento automático para eliminar rastros e, por fim, a negativa pública de Moraes sobre a existência das mensagens — que a perícia da PF no celular de Vorcaro comprovou serem verdadeiras.
“Em qualquer país sério, Moraes já teria se afastado”, concluiu Dallagnol. O procurador-geral Paulo Gonet e o presidente do Senado seguem em silêncio diante das evidências. A omissão das instituições que deveriam zelar pela lei está se tornando um escândalo tão grande quanto o próprio caso.
Fonte: Gazeta do Povo / Deltan Dallagnol