7 ANOS SEM FIM: Inquérito das Fake News completa aniversário com STF em crise e OAB pedindo encerramento
Neste sábado (14), o inquérito das fake news do STF completa sete anos de tramitação — e ainda está em uso. A investigação, aberta em março de 2019 pelo então presidente da corte Dias Toffoli sem sorteio de relatoria, foi entregue diretamente ao ministro Alexandre de Moraes e nunca mais parou de crescer.
Uma investigação que se recusa a acabar
Criado para apurar ameaças e notícias fraudulentas contra o STF e seus ministros, o inquérito foi paulatinamente absorvendo outros casos, outros investigados e outras ramificações — sempre sob o comando de Moraes. Juristas ouvidos pela Folha de S.Paulo são unânimes: está na hora de encerrar. O ex-ministro da Justiça Miguel Reale Júnior disse que o inquérito “é, sem dúvida nenhuma, excessivo e fragiliza a segurança jurídica”. A professora Vera Karam, da UFPR, foi direta: “Mais do que nunca, é oportuno que se encerre esse inquérito.”
OAB pede fim, STF resiste — e Moraes continua
Em fevereiro, a OAB formalizou pedido ao STF para encerrar a investigação, apontando “elasticidade excessiva” e “natureza perpétua” das apurações. O pedido foi reiterado em reunião com o presidente da corte, Edson Fachin, no começo de março. A resposta de Moraes, dada em 2023, continua valendo: “ele vai ser concluído quando terminar”. No dia 9 de março, mandados foram cumpridos contra um blogueiro do Maranhão que publicou críticas ao ministro Flávio Dino — mais um desdobramento do mesmo inquérito. O escândalo do Banco Master e as ligações de Moraes e Toffoli com Daniel Vorcaro só ampliam a crise de credibilidade da corte no seu sétimo aniversário.
Linha do tempo
- Mar/2019: Inquérito aberto por Toffoli, relatoria para Moraes sem sorteio
- Fev/2021: Prisão em flagrante do deputado Daniel Silveira
- Fev/2026: OAB pede encerramento formal da investigação
- Mar/2026: Blogueiro que criticou Dino vira alvo — mesmo inquérito
- Mar/2026: Sete anos. Sem previsão de fim.