A perspectiva de Daniel Vorcaro entregar ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) numa delação premiada deverá enfrentar forte oposição dentro da própria Corte. Mesmo que o acordo seja firmado junto à Polícia Federal (PF) e homologado pelo ministro André Mendonça, relator da investigação, uma ala dos ministros já articula uma reação para neutralizar ou anular revelações sobre Dias Toffoli e Alexandre de Moraes.
O que Vorcaro entregaria
Vorcaro é citado em mensagens encontradas em seu celular em contato direto com Toffoli e Moraes. Segundo a Polícia Federal, ele teria se aproximado dos ministros para obter proteção no Judiciário mediante negócios vultosos:
- Dias Toffoli: compra de fatia em um resort pertencente ao ministro
- Alexandre de Moraes: contratação da esposa advogada do ministro por R$ 129 milhões
O precedente que ameaça a delação
A estratégia da ala contrária seria usar como precedente o julgamento de maio de 2021, quando o STF anulou por 7 a 4 a delação do ex-governador do Rio Sérgio Cabral — justamente após ele citar o ministro Toffoli como beneficiário de propina no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Na ocasião, a Procuradoria-Geral da República alegou que o acordo seria ilegal porque Cabral agia de má-fé. O STF aceitou o argumento e anulou toda a colaboração, gerando um precedente que hoje preocupa investigadores e advogados envolvidos no caso Master.
Acordo em andamento
Na quinta-feira (19), a pedido da defesa, o ministro Mendonça transferiu Vorcaro do presídio de segurança máxima de Brasília para a Superintendência da PF na capital. O movimento foi o primeiro passo para o início das negociações da delação.
A reportagem da Gazeta do Povo apurou que Vorcaro já assinou um acordo de confidencialidade para dar início ao processo, que deverá envolver também a PGR.
Contexto
O STF confirmou nesta sexta (20), por unanimidade de 4 a 0, a manutenção da prisão preventiva de Vorcaro. O ministro Gilmar Mendes, ao votar pela continuidade da prisão, fez críticas à exposição midiática do caso e comparou táticas ao que chamou de abusos da Operação Lava Jato.
A crise do Banco Master derrubou a confiança no STF ao recorde de 60%, segundo pesquisa AtlasIntel. Pesquisa divulgada na sexta (20) mostra que 49,3% dos brasileiros querem o impeachment imediato de Toffoli, com 83% favoráveis a algum tipo de punição.
Fontes: Gazeta do Povo, Jovem Pan, G1