🚛 GREVE DOS CAMINHONEIROS: Categoria Dá Prazo Até 26/03 — Diesel Dispara 25% e Chega a R$ 7,22 no Posto
Os caminhoneiros autônomos do Brasil mantêm estado de greve e deram ao governo federal um prazo de sete dias — até esta quinta-feira, 26 de março — para que sejam feitos ajustes na legislação do frete mínimo rodoviário. A ameaça de paralisação surge em um momento em que o preço do diesel disparou 25% nos últimos 20 dias, chegando a uma média nacional de R$ 7,22 por litro — contra R$ 5,74 no início da guerra no Oriente Médio.
O que está em jogo
Em assembleia realizada nesta quinta-feira (19) em Santos, representantes de caminhoneiros de todo o país decidiram não deflagrar a greve imediatamente, mas permaneceram em estado de alerta. A categoria exige ajustes na Medida Provisória 1.343/2026, publicada pelo governo Lula, que regula o piso mínimo do frete rodoviário.
O principal ponto de atrito é a falta de clareza nas regras do piso: segundo os trabalhadores, empresas transportadoras estariam descumprindo o valor mínimo, fazendo com que os custos da disparada do diesel recaiam inteiramente sobre o caminhoneiro autônomo.
Diesel a R$ 7,22 — quem paga a conta?
Um levantamento da TruckPag, com base em mais de 143 mil transações em 4.664 postos em todo o Brasil, mostra a escalada brutal dos preços:
- 28 de fevereiro: diesel médio a R$ 5,74
- 19 de março: diesel médio a R$ 7,22 (+25%)
- Tocantins registrou o maior aumento: +37,1%
- Santa Catarina: +29,9% | Goiás: +29,2% | São Paulo: +27%
A causa direta é a guerra no Oriente Médio: cerca de 30% do diesel consumido no Brasil é importado e precificado no mercado internacional. Com o barril do petróleo subindo mais de 80% em menos de um mês, o repasse aos postos foi inevitável.
Governo tenta apagar o fogo
Para evitar uma repetição do caos gerado pela greve de dez dias de 2018, o ministro dos Transportes, Renan Filho, e o presidente da ANTT anunciaram medidas na quarta-feira (18). A MP 1.343/2026 cria um sistema obrigatório de registro de fretes via Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT), permitindo rastrear e bloquear operações abaixo do piso legal.
Empresas flagradas descumprindo as regras poderão ter o registro suspenso ou cancelado por até dois anos. Mas os caminhoneiros dizem que o texto ainda tem brechas e exigem mais clareza antes de suspender a ameaça de greve.
O governo também autua Vibra, Ipiranga e Raízen por suposto abuso no aumento dos combustíveis — mas a medida é vista com ceticismo pela categoria.
O relógio corre
O prazo expira em 26 de março. Se as negociações em Brasília não trouxerem resultado satisfatório, a paralisação pode ser deflagrada a qualquer momento — com potencial para gerar desabastecimento de alimentos, combustíveis e remédios em todo o país.
Fontes: G1/Globo, Gazeta do Povo — 20 de março de 2026