O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, confirmou que o governo Lula desistiu de apresentar um projeto próprio para extinguir a escala de trabalho 6×1 — modelo em que o trabalhador cumpre seis dias de serviço para cada dia de folga. A informação marca um recuo significativo do Palácio do Planalto, que havia prometido regulamentar o tema como resposta à pressão popular que tomou as redes sociais no final de 2024 e início de 2025.
A proposta original, defendida por parlamentares aliados ao PT, previa a constitucionalização do modelo de trabalho 4×3 por meio de Proposta de Emenda Constitucional (PEC). O governo, no entanto, recuou após perceber a resistência do setor produtivo, de empreendedores e do chamado Centrão, que alertaram para o impacto econômico da medida sobre pequenos e médios empresários — os maiores empregadores do país. Segundo fontes ouvidas pela imprensa, o Planalto não queria arcar com o ônus político de uma derrota no plenário.
O recuo expõe uma estratégia eleitoral: o governo usou a pauta da escala 6×1 para mobilizar trabalhadores e ganhar manchetes, mas sem a disposição real de bancar o custo político e econômico da mudança. Para o trabalhador brasileiro, que aguardou uma solução concreta, restou a frustração de mais uma promessa não cumprida. O episódio reforça a percepção de que a política trabalhista do governo Lula é pautada pelo calendário eleitoral, não pelo interesse genuíno de quem vai de segunda a sábado garantir o sustento da família.