🏦 ROMBO DO MASTER AFUNDA O BRB: Ibaneis Pede R$ 4 Bilhões ao FGC para Socorrer Banco — e STF Garante CPI de Vorcaro no Senado
O escândalo financeiro do Banco Master, de Daniel Vorcaro, segue gerando ondas devastadoras na economia brasileira. O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), formalizou pedido de empréstimo de R$ 4 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para socorrer o Banco de Brasília (BRB), que comprou R$ 12,2 bilhões em créditos posteriormente classificados como falsificados do Master. Enquanto isso, senadores comemoram: o julgamento do STF que encerrou a CPMI do INSS, paradoxalmente, garantiu juridicamente a instalação da CPI do Master na Câmara Alta.
R$ 4 Bilhões para Tapar o Rombo de Vorcaro
O pedido de Ibaneis foi formalizado por carta ao FGC na terça-feira (24). O governador afirma que o objetivo é “assegurar a continuidade de serviços financeiros essenciais, o apoio a políticas públicas e a preservação de condições adequadas de liquidez e capital do BRB”. A realidade é mais crua: o Banco Central exigiu que o BRB comprove caixa mínimo de R$ 8 bilhões até o final do mês para continuar operando sem intervenção regulatória.
Para pagar pelo empréstimo, o governo do DF ofereceu como garantia participações acionárias em empresas públicas — incluindo a Caesb (saneamento), o próprio BRB e a Companhia Energética de Brasília (CEB) —, além de nove imóveis públicos autorizados por lei distrital. O rombo estimado pode chegar a R$ 8,8 bilhões. O banco afirma ter reaver aproximadamente R$ 10 bilhões do total de R$ 12,2 bilhões em créditos suspeitos ao longo de 2025, mas o BC não está satisfeito com as garantias apresentadas.
O Esquema: Como o Master Prejudicou o BRB
- BRB adquiriu R$ 12,2 bilhões em créditos do Banco Master que foram classificados como falsificados
- O Banco Central exige demonstração de caixa mínimo de R$ 8 bilhões até 31 de março
- Ibaneis sancionou lei autorizando operações de até R$ 6,6 bilhões para socorrer o banco
- Garantias oferecidas ao FGC incluem ativos públicos avaliados em R$ 6,5 bilhões
- Daniel Vorcaro, dono do Master, foi indiciado pela CPMI do INSS — e pode ser investigado pela nova CPI
STF Contra o INSS, Mas “Garantiu” a CPI do Master
Em um dos paradoxos mais irônicos da política brasileira, o julgamento do STF que barrou a prorrogação da CPMI do INSS acabou fortalecendo juridicamente os senadores que querem instalar a CPI do Master. O senador Alessandro Vieira (MDB-SE), um dos autores do pedido de criação da CPI, foi categórico: “Os votos de vários ministros reforçaram e garantem a instalação da CPI do Master. A instalação de uma CPI é um direito da minoria — e o STF deixou isso absolutamente claro.”
O raciocínio é jurídico: os ministros do STF, ao julgarem a CPMI do INSS, distinguiram entre a prorrogação de uma CPI (que depende de previsão regimental) e a instalação de uma nova CPI (que é direito constitucional das minorias parlamentares). A CPI do Master já tem as 27 assinaturas necessárias — mas o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, se recusa a ler o requerimento e instalar a comissão. Vieira afirmou que vai cobrar de Alcolumbre que “antecipe” a decisão do STF e instale a CPI.
O STF Agora Tem que Responder
Um mandado de segurança impetrado por senadores para forçar a instalação da CPI do Master está no STF, sorteado para o ministro Nunes Marques. Há possibilidade de transferência para o ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo. O governo Lula, que protegeu Alcolumbre da pressão parlamentar, agora se vê numa armadilha: resistir à CPI do Master após o próprio STF consagrar o “direito da minoria” como cláusula pétrea seria uma contradição absurda — e o Judiciário teria dificuldades em barrar o que ele mesmo acabou de garantir.
O Trabalhador Paga a Conta
Para o cidadão comum, o quadro é desolador: um banco privado — o Master, de Vorcaro — vendeu créditos de qualidade duvidosa para um banco público estadual, o BRB. O rombo vai ser coberto com ativos públicos do DF, incluindo empresas de saneamento e energia que deveriam servir à população. Se o FGC não emprestar os R$ 4 bilhões, o Banco Central pode ser forçado a intervir no BRB — o que representaria uma crise sistêmica de proporções gravíssimas na capital do país. O Bom Senso News acompanhará os desdobramentos desta crise financeira que pode se tornar o maior escândalo bancário da história recente do Brasil.
Fontes: G1/Globo, Gazeta do Povo, CBN, Revista Oeste, Agência Brasil, Correio Braziliense. Informações apuradas em 27 e 28 de março de 2026.