Brasília, sexta-feira (20/03) — O ex-presidente Jair Bolsonaro não terá alta da UTI neste fim de semana. O boletim médico divulgado no final da manhã desta sexta-feira pelo Hospital DF Star, em Brasília, frustrou a expectativa que havia se formado nos últimos dias de que ele poderia ser transferido para um quarto hospitalar antes do sábado.
O que diz o boletim
Na íntegra, o documento assinado por cinco médicos informa que Bolsonaro “mantém boa evolução clínica e laboratorial, em uso de antibioticoterapia endovenosa” e “segue com suporte clínico intensivo e fisioterapia respiratória e motora”, porém com conclusão categórica: “Não há previsão de alta da UTI neste momento.”
O boletim foi assinado pelos doutores Claudio Birolini (cirurgião geral), Leandro Echenique (cardiologista), Brasil Caiado (cardiologista), Antônio Aurélio de Paiva Fagundes Jr. (coordenador da UTI Geral) e Allisson B. Barcelos Borges (diretor geral do hospital).
Contexto: UTI desde o dia 13
Bolsonaro está internado desde a semana passada para tratar uma broncopneumonia bilateral — infecção bacteriana que atingiu os dois pulmões — contraída na Papudinha, o 19º Batalhão da Polícia Militar em Brasília, onde está preso desde janeiro após condenação de 27 anos e 3 meses por tentativa de golpe de Estado.
A internação na UTI teve início em 13 de março. Em dias anteriores, fontes próximas à família chegaram a indicar que o ex-presidente poderia ser transferido para um quarto ainda neste fim de semana, o que o boletim desta tarde descartou.
Pedido de domiciliar ainda no ar
A defesa de Bolsonaro renovou pedido de prisão domiciliar ao ministro Alexandre de Moraes alegando risco à saúde em ambiente prisional. O governador Tarcísio de Freitas e o senador Flávio Bolsonaro visitaram o STF esta semana para reforçar pessoalmente o apelo. O próprio cardiologista de Bolsonaro, dr. Brasil Caiado — um dos signatários do boletim —, apoiou publicamente a medida.
Moraes, no entanto, negou pedido anterior com base em laudo da Polícia Federal atestando que o ex-presidente estaria apto a permanecer preso. Nova decisão ainda não foi proferida.
Repercussão política
Nos bastidores do STF, cresce o debate sobre a concessão da domiciliar como forma de proteger institucionalmente a Corte diante do risco político de agravamento do quadro clínico de Bolsonaro. Integrantes do governo Lula e do PT também teriam considerado, em conversas reservadas, que a piora clínica indica que chegou o momento de ele cumprir pena em casa, segundo a Gazeta do Povo.
- Fontes: Gazeta do Povo, G1/Globo, CNN Brasil
- Atualizado em: 20/03/2026 às 18h (horário de Brasília)