🌱 BOMBA NO AGRO: China Proíbe Exportação de Fertilizantes e Brasil Pode Sofrer Consequências — Ureia Sobe 40%
Brasília/Pequim — 19/03/2026 — Em mais um sinal da escalada global provocada pela guerra no Oriente Médio, a China anunciou restrições amplas às exportações de fertilizantes, atingindo diretamente o agronegócio brasileiro. O movimento, revelado pela Bloomberg News e confirmado pela Reuters, proíbe a exportação de misturas de fertilizantes de nitrogênio, potássio e certas variedades de fosfato.
O Que a China Proibiu?
Pequim bloqueou silenciosamente, sem anúncio formal, uma parcela significativa de suas exportações de fertilizantes. Segundo analistas ouvidos pela Reuters, cerca de metade das exportações chinesas do ano passado estão agora restritas — potencialmente até 40 milhões de toneladas. Além das proibições existentes e das cotas de exportação de ureia, apenas o sulfato de amônio segue sendo exportado livremente.
Por Que Isso Importa para o Brasil?
A China é o terceiro maior fornecedor de fertilizantes do Brasil, respondendo por 11,5% das compras brasileiras em 2025, o equivalente a mais de US$ 93 milhões. A medida agrava um cenário já pressionado:
- Os preços internacionais da ureia subiram cerca de 40% em relação aos níveis anteriores à guerra
- O Estreito de Ormuz, bloqueado pelo Irã, é responsável por cerca de 1/3 do suprimento global por via marítima
- Na China, os futuros da ureia estão próximos de máxima de 10 meses
Quando o Brasil Sente o Impacto?
Segundo Paulo Pavinato, professor da ESALQ/USP, os produtores brasileiros que plantam agora ainda estão protegidos — o fertilizante em uso já foi comprado anteriormente. O impacto deve chegar às safras do segundo semestre de 2026, quando os agricultores precisarão comprar insumos a preços muito mais elevados.
Nos Estados Unidos a situação é mais imediata: os produtores ainda estão adquirindo o produto e já sentem o golpe nos custos.
O Padrão Chinês
“Esse padrão é consistente: a China restringe os suprimentos em vez de vir em socorro durante a escassez global”, disse Matthew Biggin, analista sênior de commodities da BMI à Reuters. “As restrições existem por causa do equilíbrio interno apertado — eles estão priorizando a segurança alimentar e isolando seu mercado interno dos choques de preços.”
Contexto: Crise em Cascata
A medida chinesa se soma a um quadro já preocupante para o agro nacional:
- Diesel subiu 11% em uma semana nos postos brasileiros (de R$ 6,08 para R$ 6,80 por litro)
- Petróleo Brent chegou a US$ 115 por barril após ataques iranianos a instalações energéticas no Golfo
- O dólar subiu 2,5% desde o início do conflito, pressionando todos os insumos cotados em moeda estrangeira
Fontes: G1/Globo, Reuters, Bloomberg News, ESALQ/USP
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