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POLíTICA

⛽ PETRÓLEO DESPENCA COM CESSAR-FOGO — Mas Passagens Aéreas Vão Continuar Subindo: Entenda Por Quê o Brasileiro Ainda Paga a Conta da Guerra

O barril de petróleo Brent despencou mais de 10% nesta terça-feira (7) após o anúncio do cessar-fogo de duas semanas entre EUA e Irã, mediado pelo Paquistão. A notícia trouxe alívio nos mercados internacionais — mas especialistas alertam que o bolso do brasileiro na hora de comprar passagem aérea ainda vai sangrar por meses.

O Reajuste Histórico que Ninguém Viu Chegar

No dia 1º de abril de 2026, a Petrobras anunciou um reajuste de 54,8% no Querosene de Aviação (QAV) — o maior da história. Na Refinaria Abreu e Lima (PE), o litro saltou de R$ 3,49 para R$ 5,40. O combustível passou a representar 45% dos custos operacionais das companhias aéreas, segundo a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear).

Nos 12 meses até março, as passagens já haviam subido 23,6% — mais de seis vezes a inflação do período. A projeção da Warren Investimentos é de alta de até 36% ao longo de 2026.

Por Que a Queda do Petróleo Não Resolve Imediatamente?

O problema é estrutural. A Petrobras criou um mecanismo de parcelamento para suavizar o choque: as distribuidoras pagam apenas 18% do reajuste em abril. A diferença — 82% do valor — será quitada em até seis parcelas a partir de julho de 2026.

  • Isso significa que, mesmo com a queda do petróleo agora, as aéreas ainda absorverão o aumento faseado nos próximos meses
  • Para o grupo Abra (Gol + Avianca), cada aumento de US$ 1 por galão exige reajuste de 10% nas tarifas
  • A Abear alerta para cancelamento de rotas e concentração em destinos mais lucrativos

Quem Paga a Conta?

O impacto vai muito além das férias. O frete aéreo encarece medicamentos, eletrônicos, autopeças e insumos farmacêuticos. Segundo Lucas Dezordi, da Fecomércio-PR, as passagens devem subir cerca de 10% ao mês no próximo trimestre — antes de qualquer alívio.

A boa notícia: se o cessar-fogo se consolidar e o conflito não ultrapassar 8 a 9 meses de duração total, analistas estimam que os preços possam retornar aos patamares de janeiro ainda em 2026.

O Paradoxo Lula-Petrobras

Enquanto o governo Lula celebra o cessar-fogo como vitória diplomática, a conta do conflito continua sendo paga pelo trabalhador brasileiro nas passagens, no frete e no turismo. A política de paridade internacional de preços da Petrobras — criticada pela esquerda quando beneficiava o consumidor — agora opera contra ele.

Fontes: Gazeta do Povo, Ciano Investimentos, Warren Investimentos, Abear, InvestSmart, Fecomércio-PR.

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