⚖️ STF MENTE NA PRÓPRIA NOTA: Decisão de Moraes contra jornalista cita inquérito das fake news — e assessoria do tribunal nega a correlação
O Supremo Tribunal Federal tentou controlar os danos causados pela polêmica operação que mandou a Polícia Federal à casa do jornalista maranhense Luís Pablo — mas a nota oficial do tribunal contradiz a própria decisão escrita pelo ministro Alexandre de Moraes. O impasse virou escândalo nesta sexta-feira (13).
A nota que mente para o cidadão
Na tarde de quinta-feira, a assessoria do STF divulgou nota afirmando que a investigação contra o jornalista “não tem correlação” com o Inquérito 4781 — o polêmico inquérito das fake news. O problema: a decisão do próprio Moraes, datada de 4 de março, diz o contrário. O documento afirma que os autos lhe couberam “por prevenção ao INQ 4781/DF” e compara o trabalho jornalístico ao modus operandi do chamado “gabinete do ódio”.
Como o jornalista foi equiparado a criminoso
A decisão de Moraes compara o comportamento do repórter Luís Pablo ao da “organização criminosa investigada no INQ 4781/DF” — a suposta milícia digital bolsonarista. Na prática, o ministro equiparou jornalismo investigativo a crime. O advogado Marcos Lobo, que defende o repórter, classifica a investigação como um “escândalo” e uma tentativa de identificar fontes jornalísticas, violando o artigo 5º da Constituição Federal.
Entidades de imprensa e senadores reagem
Diversas associações de jornalismo protestaram contra o que chamaram de violação das garantias constitucionais ao exercício da profissão. No Congresso, parlamentares de oposição pedem explicações ao tribunal. O caso Luís Pablo se torna símbolo do padrão de censura praticado pelo STF: acesso bloqueado a fontes, equipamentos apreendidos e nenhuma resposta coerente da Corte à imprensa.